O Livro dos Espíritos

170 – Intuição das penas e gozos futuros

a) A crença na existência de penas e recompensas futuras provém do pressentimento que o espírito traz ao
reencanar. É a voz interior quem lhe diz.

b) No momento da morte, cada um pode ser tomado por um sentimento diferente: os céticos, pela dúvida;
os culpados, pelo temor e os homens de bem, pela esperança.

c) Embora trazendo o sentimento da vida espiritual, alguns homens deixam-se dominar pelo orgulho, que o
fazem sentirem-se espíritos fortes. No momento da morte, porém, vem a decepção.

Comentário de Allan Kardec:

A responsabilidade dos nossos atos é a conseqüência da realidade da vida futura. Dizem-nos a razão e a
justiça que, na partilha da felicidade a que todos aspiram, não podem estar confundidos os bons e os maus.
Não é possível que Deus queira que uns gozem, sem trabalho, de bens que outros só alcançam com
esforço e perseverança. A idéia que, mediante a sabedoria de Suas leis, Deus nos dá de Sua justiça e de
Sua bondade não nos permite acreditar que o justo e o mau estejam na mesma categoria a Seus olhos, nem
duvidar de que recebam, algum dia, um a recompensa, o castigo o outro, pelo bem ou pelo mal que tenham
feito. Por isso é que o sentimento inato que temos da justiça nos dá a intuição das penas e recompensas
futuras.


QUESTÕES PARA ESTUDO:

1. Que contribuição pode o Espiritismo dar à humanidade, no sentido de comprovar a existência da vida
futura?

2. Embora originários do mundo espiritual, por que alguns homens insistem em desconhecê-lo?

3. Por que Kardec afirma serem os nossos atos atuais os responsáveis pelas penas e gozos futuros?



Conclusão

1. Que contribuição pode o Espiritismo dar à humanidade, no sentido de comprovar a existência da vida futura?

Todas as concepções religiosas pregam a seus seguidores a existência de uma vida futura, sem, todavia,
comprová-la. O Espiritismo, através do testemunho dos que aqui viveram, elimina qualquer dúvida que ainda
possa pairar a respeito e demonstra, por intermédio da explicação dos mecanismos da lei de causa e efeito, que
ao próprio homem deve ser atribuída sua felicidade ou infelicidade após a morte do corpo físico.


2. Embora originários do mundo espiritual, por que alguns homens insistem em desconhecê-lo?

O homem traz consigo, da erraticidade, a certeza da vida futura, que se manifesta por meio de intuição. Como a
recordação do passado fica latente durante a vida física, face ao esquecimento que é imposto durante o processo reencarnatório, muitos homens, por orgulho, preferem ignorar essa intuição, que, no entanto, se tornará realidade
no momento da morte.


3. Por que Kardec afirma serem os nossos atos atuais os responsáveis pelas penas e gozos futuros?

Kardec ensina que Deus seria extremamente injusto se permitisse que todos gozassem da mesma felicidade após
a morte, independente de terem para isso trabalhado ou não. Da mesma maneira, se a negasse. Contudo, tendo
suas leis divinas a mesma natureza sábia de que é infinitamente dotado o seu criador, não podemos acreditar que
o justo e o mau tenham a mesma recompensa ou o mesmo castigo. Por essa razão, não temos como duvidar de
que os nosso atos de hoje serão os responsáveis pelas penas ou gozos que viermos a desfrutar na vida futura.