O Mundo Maior

015 – Apelo cristão


... Na véspera da prometida visita às cavernas do sofrimento, o estimado
Assistente me convidou a ouvir a palavra do Instrutor Eusebio que, naquela
noite, se dirigiria a algumas centenas de companheiros católicos-romanos e
protestantes das Igrejas reformadas, ainda em transito nos serviços a esfera
carnal.

- São irmãos menos dogmáticos e mais liberais que, em momentos de sono, se
tornam suscetíveis de nossa influência mais direta. Pelas virtudes de que
são portadores, tornam-se dignos das diretrizes dos planos mais altos.

... Importa compreender que a Proteção Divina desconhece privilégios. A
graça celestial é como o fruto que sempre surge na fronde do esforço
terrestre: onde houver colaboração digna do homem, aí se acha o amparo de
Deus. Não é a confissão religiosa que nos interessa em sentido fundamental,
senão a revelação da Fé viva, a atitude positiva da alma na jornada de
elevação. Claro é que as escolas da crença variam, situando-se cada um em um
círculo diferente. Quanto mais rudimentar é o curso de entendimento
religioso, maior é a combatividade inferior, que traça fronteiras infelizes
de opinião e acirra hostilidades deploráveis, como se Deus não passasse dum
ditador em dificuldades para manter-se no poder.
Constituindo o espiritismo evangélico prodigioso núcleo de compreensão
sublime, é razoável seja considerado uma escola cristã mais elevada e mais
rica. Possuindo tamanhas bênçãos de conhecimento e de amor, cumpre-lhe
estendê-las a todos os companheiros, ainda quando esses companheiros se
mostrem rebeldes e ingratos em conseqüência da ignorância de que ainda não
conseguiram afastar-se.

... Se o patrimônio da fé religiosa representa o indiscutível fator de
equilíbrio mental do mundo, que fazeis de vosso tesouro, esquecendo-lhe a
utilização, numa época em que a instabilidade e a incerteza voa ameaçam
todas as instituições de ordem e de trabalho, de entendimento e de
construção? ... Supondes possível uma era de paz exterior, sem a preparação
interior do homem no espírito de observância e aplicação das Leis Divinas?
Por admitir semelhante contra-senso, a máquina, filha de vossa inteligência,
vos anula as
possibilidades de mais alta incursão no reino do Espírito Eterno.
Ser cristão, outrora, simbolizava a escolha da experiência mais nobre, com o
dever de exemplificar o padrão de conduta consagrado pelo Mestre Divino.
Constituía ininterrupto combate ao mal com as armas do bem, manifestação
ativa do amor contra o ódio, segurança de vitória da luz contra as sombras,
triunfo incosteste da paz construtiva sobre a discórdia derruidora.
Ante o moleque do Estado Romano, convertido em imperialismo e corrupção, os
sectários do Evangelho não se expunham a polêmicas mordazes, não se
enredavam nas teias do personalismo dissolvente, não dilapidavam
possibilidades preciosas, a erigir fronteiras dogmáticas... Extremavam-se em
nome do Senhor e ofereciam a própria vida, em penhor de gratidão Àquele que
ainda não trepidava em seguir para a Cruz, por amor a todos nós. Erguiam os
seus princípios santificantes que os identificavam com o Salvador do Mundo.
Sabiam perder vantagens transitórias , para conquistar os imperecíveis
tesouros celestiais. Sacrificavam-se uns pelos outros, na viva demonstração
de devotamento fraternal. Repartiam os sofrimentos e multiplicavam os
júbilos entre si. Morriam em testemunhos angustiosos, para alcançar a vida
eterna. Guerreavam os desequilíbrios de sua época e de seus contemporâneos,
não a golpes de maldição, nem a fio de espada, mas pela prática da
renunciação, submetendo-se a disciplinas cruéis e revelando, nas palavras,
nos pensamentos e nos atos, a mensagem sublime do Mestre que lhes renovara
os corações.
Entretanto, herdeiros que sois daqueles heróis anônimos, que transitaram nas
aflições, de espírito edificado nas promessas do Cristo, que fizestes vós da
esperança transformadora, da confiança sem vacilação? Onde colocastes a fé
viva que os vossos patriarcas adquiriram a preço de fraternidade que
assinalava os aprendizes da Boa Nova? Enriquecidos pelas graças do Céu,
pouco a pouco olvidastes as portas da Revelação Divina em troca das
comodidades humanas.
Construístes, entre vós mesmos, barreiras dificilmente transponíveis.
Intoxicai-vos o dogmatismo, corrompe-vos a secessão. Estreitas
interpretações do plano divino vos obscurecem os horizontes mentais.
Abrís hostilidade franca, em nome do Reino de Deus que significa amor
universal e união eterna.
Conspurcais a fonte das bênçãos, amaldiçoando-vos uns aos outros, invocando,
para isso, o Príncipe da Paz, que para ajudar-nos, não nos hesitou ante a
própria morte afrontosa....

... Reverenciais do Senhor a Luz dos Séculos, e mantende-vos nas sombras do
nefasto egoísmo.
Proclamai nEle a glória da paz, e incentivais a guerra fraticida, em que
homens e instituições se trucidam reciprocamente.
Recorreis ao Divino Mestre, centralizando em sua infinita bondade a fonte
inesgotável do amor, entretanto, cultivas a desarmonia no recôndito do
ser...

... Por que estranhas convicções supondes conquistar o paraíso, à força de
afirmativas labiais?...

... Todavia, é imperioso reconhecer o caráter sublime de vossa tarefa no
mundo...

... Jesus fundou a Religião do Amor Universal, que os sacerdotes políticos
dividiram em várias escolas pelo sectarismo injustificável...

... O Evangelho, em suas bases, guarda a beleza do primeiro dia. Sofisma
algum conseguiu empanar o brilho do "amai-vos uns aos outros como Eu vos
amei"...

... Perante os desafios do céu, credes, acaso, servir a Deus, encarcerando
os serviços da fé nos templos suntuosos? A pompa do culto exterior só faz
realçar o desatino de vossas perigosas ilusões acerca da vida espiritual...

... Não encontraste outra fórmula de externar a crença, além da concorrência
menos digna?
Em vão ergueis castelos de opinião para o verbalismo sem obras, porque, se a
morte surpreende o materialista revel, descortinando-lhe o realismo da vida,
o túmulo abre também o tribunal da reta justiça a quantos se valeram da
religião para melhor dissimular a indiferença que lhes povoa o mundo
íntimo...

Na atuação da fé positiva reside a força reguladora das paixões, dos
impulsos irresistíveis da animalidade de que todos emergimos, no processo
evolucionário que nos preside à existência...

... Jesus não confinou seus ensinamentos ao círculo estrito de pedras, mas
viveu conquistando amigos para o Reino do Céu...

... Não impôs aos seus seguidores normas rígidas de ação: pedia-lhes amor e
entendimento; fé sincera e bom ânimo para os serviços edificantes...

... Como invocar-Lhe o nome para justificar os desvarios da separação por
motivos de fé?? Como apoiar-se no Amigo de Todos para deflagrar embates de
opinião, ascendendo fogueiras de ódio em prejuízo da solidariedade comum
que
Ele exemplificou até o supremo sacrifício? Não será denegrir-lhe a memória,
difundir a discórdia em seu nome??...

... Não limiteis portanto, a demonstração de fé no Altíssimo aos cerimoniais
do culto externo...

... Evitai a subversão dos valores espirituais afugentai as trevas que vos
ameaçam as organizações político-religiosas. Temei a ciência que estadeie
sem a sabedoria, livrai-vos do raciocínio que calcula sem amor, revisai a

para seus impulsos não se desordenarem, à mingua da edificação.
A Crosta da Terra é atualmente um campo de batalha mais áspero, mais
doloroso ...

... A salvação é contínuo trabalho de renovação e de aprimoramento...


Questões para estudo:

1) "Onde houver colaboração digna do homem, aí se acha o amparo de Deus. "
Para você, o que significa essa colaboração? Colaborando com o próximo,
estamos colaborando com nós mesmos... Sendo assim, de que maneira podemos
dar essa colaboração?

2) "Quanto mais rudimentar é o curso de entendimento religioso, maior é a
combatividade inferior ... "
"Constituindo o espiritismo evangélico prodigioso núcleo de compreensão
sublime, é razoável seja considerado uma escola cristã mais elevada e mais
rica ... "
Em que baseia-se o prelecionado para fazer tais afirmações?

3) Para chegarmos a era da paz exterior, o que cabe ao homem fazer?

4) "... Por que estranhas convicções supondes conquistar o paraíso, à força
de afirmativas labiais?... " ... "... Perante os desafios do céu, credes,
acaso, servir a Deus, encarcerando
os serviços da fé nos templos suntuosos? A pompa do culto exterior só faz
realçar o desatino de vossas perigosas ilusões acerca da vida espiritual..."
... "... Não limiteis portanto, a demonstração de fé no Altíssimo aos
cerimoniais do culto externo..."
Sendo assim de que forma devemos orar ?


Termino com uma reflexão dita pelo prelecionado do texto:
"... Todavia, é imperioso reconhecer o caráter sublime de vossa tarefa no
mundo..."
Já parou para pensar o motivo de sua existência atual?? Credes que estás a
passeio, ou viestes a fim de conquistar Jesus ???


Apoio de leitura:
Conduta espírita

Conclusão


Neste capítulo, André Luiz narra o encontro a que compareceu,
juntamente com o assistente Calderaro, para ouvir palestra que seria proferida pelo
instrutor Eusébio, dirigente espiritual de alta elevação.

A platéia, conta-nos o Autor, era composta de algumas centenas
de irmãos católicos-romanos e protestantes ainda encarnados, que compareciam ao
encontro durante as horas de emancipação pelo sono físico.

O tema da palestra, como vimos no estudo apresentado, foi a fé
religiosa. Procurou o insigne Instrutor demonstrar a importância da verdadeira fé, que
é a fé interior, sincera, racional e que faz com que entendamos a necessidade de agir
em favor do nosso semelhante, independentemente do credo religioso que se pratique.


Questões propostas para estudo e participação

1.- "Onde houver colaboração digna do homem, aí se acha o amparo de Deus."Para
você, o que significa essa colaboração? Colaborando com o próximo, estamos
colaborando com nós mesmos... Sendo assim, de que maneira podemos dar essa
colaboração?

Segundo os ensinamentos do Assistente Calderaro, essa colaboração não pode
ser norteada apenas pela confissão de um determinado credo religioso. O que importa
é a demonstração de fé viva, que venha trazer a elevação da alma. A maneira de dar
essa colaboração, ainda segundo o Assistente, é estendermos a todos os irmãos
de caminhada, independente de suas rebeldias e da ignorância de que ainda não
conseguiram se afastar, as bênçãos de conhecimento e de amor, dos quais o
Espiritismo se constitui numa grande fonte. É conceder o amparo fraternal, para que o
próximo desperte e se levante.


2.- "Quanto mais rudimentar é o curso de entendimento religioso, maior é a
combatividade inferior ... ". "Constituindo o espiritismo evangélico prodigioso núcleo de compreensão sublime, é razoável seja considerado uma escola cristã mais elevada e
mais rica ...". Em que se baseia o prelecionado para fazer tais afirmações?

Sobre a primeira afirmação, podemos entender que, sendo o entendimento religioso
rudimentar típico de espíritos igualmente ainda rudimentares, ou seja, em estágio
evolutivo atrasado, seus instintos primitivos os levam à combatividade inferior. São
exemplos os inúmeros conflitos bélicos em curso na Terra, que têm como pano de fundo
ou, pelo menos, como pretexto, o credo religioso.

A segunda afirmativa ressalta que, por ser o Espiritismo um segmento religioso
possuidor de um "prodigioso núcleo de compreensão sublime" - em outras palavras, de
uma fé raciocinada -, deve ser considerado "uma escola cristã mais elevada e mais rica"
do que as demais, em melhores condições e, por isso, com maiores responsabilidades
perante a Divindade.



3.- Para chegarmos a era da paz exterior, o que cabe ao homem fazer?

Primeiro, o homem terá que aprender, assimilar de verdade a paz interior, que só vem
pela compreensão e vivência do Amor exemplificado na vivência por Jesus, ou seja, bem compreendendo, bem vivendo e bem praticando o "Amor a Deus sobre todas as coisas e
ao próximo como a si mesmo."


4.- "... Por que estranhas convicções supondes conquistar o paraíso, à força de afirmativas labiais?... " ... "... Perante os desafios do céu, credes, acaso, servir a Deus, encarcerando
os serviços da fé nos templos suntuosos? A pompa do culto exterior só faz realçar o
desatino de vossas perigosas ilusões acerca da vida espiritual..." ... "... Não limiteis
portanto, a demonstração de fé no Altíssimo aos cerimoniais do culto externo..." Sendo
assim, de que forma devemos orar ?

É a afirmação do ensinamento de Jesus, que, em diversas passagens narradas nos
evangelhos, sempre censurou os fariseus por suas demonstrações de uma suposta fé
exibicionista e por seus cultos em templos que chamou de "sepulcros caiados".

A forma como devemos orar, o Cristo sintetizou nessa passagem registrada por Mateus
em seu evangelho:

"Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora
a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te
recompensará."

(Mateus 6, 6)